terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dia especial!!!

13 de dezembro de 1992 poderia ser um dia de final de semana qualquer. Mas não foi.

A ansiedade de um Pré-jogo, os noticiários do dia que antecedia ao jogo mostrando o time em uma noite gelada do outro lado mundo, a arrogância do adversário, já mostrada no desembarque a poucos dias do tão aguardado jogo para os são paulinos.

Na terra do sol nascente, o feijão escondido na mala, a febre de 38 graus do Palhinha, os treinos noturnos, tudo isso era combustível para o grande jogo.

Jogo a tarde no Japão, madrugada no Brasil, a torcida japonesa já sabia para quem torcer, para o time do país tropical, toda a torcida vidrada no mágico time do Mestre TELÊ. A cada toque do time espanhol, que mais parecia uma seleção do mundo, com grandes jogadores como: Koeman (autor do gol na final da Liga dos campeões) Guardiola, Michael Laudrup e o Búlgaro Stoichkov e no banco um holandês que encantou o mundo em 1974 comandando em campo o carrossel holandês, um buzinaço da torcida japonesa, que aplaudia a cada toque na bola a equipe da capital Paulista.

No Brasil a torcida aflita, eu, que vos escrevo, ainda guri, acordando na madrugada para assistir o jogo junto com o meu pai, vendo Stoichkov abrir o placar com um gol aos 12 minutos , que encobriu o nosso goleiraço ZETTI. O gol não abateu a nossa equipe, e nem a mim, que falava para o meu pai: “O RAÍ vai fazer o gol, nós vamos ganhar”.

Aos 27 minutos, veio o resultado da “profecia” em uma jogada genial do MULLER, jogador que mais títulos ganhou com a nossa camisa, entorta o Ferrer, o tido pela mídia internacional como marcador implacável, cruzou para o meio da área, para RAÍ, meio de peito, meio de barriga igualar o placar.

Torcida em êxtase, na Av.Paulista, no condomínio onde eu morava, poucas luzes ligadas, visualizadas da janela do 10º andar do apartamento do bloco 10, no condomínio parque das flores em São Bernardo do Campo. No Andar da frente, um torcedor folclórico do condomínio, o Alemão, o maior são paulino daquelas redondezas, com uma bandeira pendurada na janela que ia do 7º andar do bloco 7 ate a janela do 6º andar.

Mesmo após o gol, o time catalão não mudou o seu panorama de jogo. Traiçoeiros como uma serpente,ia tocando a bola para tentar atrair o time Brasileiro, que não caia na armadilha imposta pelos europeus, e contra golpeava com jogadas perigosas sempre puxadas por CAFÚ, pela direita e por MULLER, pela esquerda, que quase fez um golaço encobrindo Zubizarreta, sendo salvo por Ferrer, que tirou a bola praticamente em cima da linha.

No final dos 45 minutos, o atacante Beguiristain, driblou metade da defesa São paulina, VITOR, ADILSON e ZETTI e tocou para o gol aberto, gol que só não saiu por uma graça divina que colocou RONALDO LUIS para salvar o que seria o segundo gol do Barcelona.

Um jogo espetacular, nunca tinha visto algo assim. A poucos meses atrás tinha visto o meu time ganhar de 4X0 do mesmo Barcelona na taça Tereza Herrera, agora via um jogo super difícil. O Barcelona tinha talentos individuais, como Laudrup, Stoichkov, mas o SPFC tinha o conjunto, MULLER, PALHINHA, RAÍ, que segundo o Líbero Koeman, poderia a qualquer momento decidir a partida.

Parecia que o Koeman previa algo. Ele sentia que com o São Paulo de TELE, não podia brincar. Aos 34 da etapa final, palhinha sofre falta próxima à grande área. Meu pai falou: “to sentindo que vai ser agora, heim.” Enquanto, eu, segurei na sua mão e apertei, não disse nada.

Em uma cobrança de 2 lances, RAÍ rolou a bola pra CAFÚ, que só pisou na bola para o chute do nosso camisa 10, para mandar a bola no contra-pé do goleiro espanhol, que ficou estático.

Os gritos na sala, que transferiu para a janela e acordou a casa toda, o foguetório que começou no bairro, o choro de uma criança de 7 anos, que naquele momento, viu o sorriso do mestre TELÊ, que transmitia a frase “Agora não perdemos mais”.

Era nítido pela bola que o Barcelona jogou no segundo tempo, não tinha forças para reagir, so tocava a bola de lado, enquanto nós levávamos mais perigo, antes de acabar, a torcida já gritava “Tá chegando a hora”. E a hora chegou. Bastou o arbitro Argentino apitar o final do jogo, que deu-se o inicio de um carnaval vermelho, branco e preto. O Rígido esquema de segurança, foi quebrado, a torcida invadiu o campo.

Na Av.Paulista, a torcida fazia também um carnaval, no condomínio em SBC, um torcedor fazia também um carnaval. Correndo pelas ruas, com uma bandeira e gritando o nome do nosso time.

Eu, vidrado e chorando via o choro do CEREZO, a alegria do mestre TELÊ, a taça na mão do nosso capitão RAÍ, o melhor jogador da partida.

Nesse dia, esses jogadores gravaram seus nomes para sempre no minha memória:

1- ZETTI

2- VITOR

3- ADILSON

4- RONALDÃO

5- PINTADO

6- RONALDO LUIS

7- MULLER

8- TONINHO CEREZO

9- PALHINHA

10 RAÍ

11- CAFÚ

Técnico: TELÊ SANTANA

No dia de Santa Luzia, o mundo começou a enxergar a grandeza do SPFC, o melhor time do planeta naquele ano.

13 de dezembro de 1992 poderia ser um dia comum, mas não foi.




Josep Guardiola, atual técnico do FC Barcelona: Lembro que eles tinham um supertime, ótimo, com Raí, Toninho Cerezo, Müller… Uma equipe fantástica – disse.

Em pé: Adílson, Zetti, Ronaldão, Vítor, Pintado, Ronaldo Luís e Toninho Cerezo. Agachados: Müller, Palhinha, Cafú e Raí.

Mundial Interclubes – 13.12.1992

Coisa que nenhuma GALINHA ainda conseguiu na vida!!!

fonte blog do Zanqueta



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